sábado, 17 de janeiro de 2009

transcrição de Kardec e comentários - HOMOSSEXUALIDADE

transcrição de Kardec e comentários:
Revista Espírita de 1866 - n° 1.

"Aos homens e às mulheres são, pois, dados deveres especiais, igualmente importantes na ordem das coisas; são dois elementos que se completam um pelo outro.
O Espírito encarnado sofrendo a influência do organismo, seu caráter se modifica segundo as circunstâncias e se dobra às necessidades e aos cuidados que lhe impõem esse mesmo organismo. Essa influência não se apaga imediatamente depois da destruição do envoltório material, do mesmo modo que não se perdem instantaneamente os gostos e os hábitos terrestres; depois, pode ocorrer que o Espírito percorra uma série de existências num mesmo sexo, o que faz que,
durante muito tempo, ele possa conservar, no estado de Espírito, o caráter de homem ou de mulher do qual a marca permaneceu nele. Não é senão o que ocorre a um certo grau de adiantamento e desmaterialização que a influência da matéria se apaga completamente, e com ela o caráter dos sexos. Aqueles que se apresentam a nós ((em vidência espiritual)) como homens ou como mulheres, é para lembrar a existência na qual nós os conhecemos.
Se essa influência repercute da vida corpórea à vida espiritual, ocorre o mesmo quando o Espírito passa da vida espiritual à vida corpórea. Numa nova encarnação, ele trará o caráter e as inclinações que tinha como Espírito; se for avançado, fará um homem avançado; se for atrasado, fará um homem atrasado. Mudando de sexo, poderá, pois, sob essa impressão e em sua nova encarnação, conservar os gostos, as tendências e o caráter inerente ao sexo que acaba de deixar. Assim se explicam certas anomalias aparentes que se notam no caráter de certos homens e de certas mulheres.
Não existe, pois, diferença entre o homem e a mulher senão no organismo material que se aniquila na morte do corpo, mas quanto ao Espírito, à alma, ao ser essencial, imperecível, ela não existe uma vez que não há duas espécies de alma; assim o quis Deus, em sua justiça, para todas as suas criaturas; dando a todas um mesmo princípio, fundou a verdadeira igualdade; a desigualdade não existe senão temporariamente no grau de adiantamento; mas todas têm o direito ao mesmo destino, ao qual cada um chega pelo seu trabalho, porque Deus nisso não favoreceu ninguém às expensas dos outros."

Comentário

Que ser extraordinário este missionário Allan Kardec. No seu tempo, sem comparações com o nosso, a homossexualidade era tida como algo extremamente nefasto e uma doença.
Kardec, quanto ao mais, não se ateve às convenções, à falsa moral. E faz um enfoque da homossexualidade em parâmetros de busca da verdade, da essência.
Alguns analistas apressados poderiam argumentar que Kardec referiu-se à homossexualidade como "anomalias aparentes", como se isso tivesse o significado de uma anomalia à mostra. Somente a falta de atenção, para não dizer má fé poderia estabelecer tal leitura.
Fica claro, cristalino, que Kardec referia-se a algo que aparentava anomalia, mas que não era.
Fosse sua a interpretação de anomalia à mostra, é óbvio que tal posicionamento seria seguido de comentário que chamasse os homossexuais à razão, à assistência espiritual.
Não foi isso que Kardec fez. Muito ao contrário, ligou suas afirmações aos ensinos dos espíritos, em "O Livro dos Espíritos", onde se desenvolve o raciocínio que ele apresenta para falar da igualdade de direitos do homem e da mulher, lembrando que o espírito em si não tem sexo.
E continuando em seu raciocínio baseado no ensino dos espíritos superiores, Kardec pontua que a troca de sexo visa o amealhar de novas vivências na rota evolutiva, esclarecendo que tal necessariamente não ocorre abruptamente. Segundo Kardec, de acordo com o texto acima, é apenas quando o espírito tem seguidas reencarnações em um sexo e ocorre a troca é que viria a manutenção do estado psíquico anterior comum a este ou aquele sexo.
E o Codificador termina sua exposição falando da justiça de Deus, que a ninguém privilegia, desfazendo também o espírito machista milenar que levou à classificação social e até legal da mulher como um ser inferior ao homem. Kardec desfez os enganos cometidos até pelo apóstolo Paulo, que em sua Epístola aos Coríntios ordena que "no templo as mulheres permaneçam caladas, e em tendo alguma dúvida perguntem aos maridos em casa". O mesmo apóstolo Paulo que também condenava a homossexualidade - em nome dos rigores desumanos do Velho Testamento.
Há espíritas que ainda citam o Velho Testamento para condenar a homossexualidade. É quando mais uma vez ignoram o bom senso de Kardec, que até em relação ao Novo Testamento fez questão de destacar a parte moral, esclarecendo que outras questões reportam a costumes da época. O que Kardec destacou, especialmente, do Novo Testamento foi o que ele chamou de "A verdadeira Moral, a Lei do Amor".
Exatamente a Lei do Amor que tantos dirigentes, expositores, articulistas e escritores espíritas estão trocando pela lei da falsa moral - para compor com tradições e idéias ultrapassadas e desumanas em relação à homossexualidade.
Foi tão resumida a exposição de Kardec sobre a homossexualidade, mas extremamente esclarecedora. E ainda mais: avançadíssima para a sua época, quando não havia nenhuma referência positiva no meio médico e psicológico.
Na atualidade, desde a década de 90, Medicina e Psicologia já retiraram da homossexualidade os rótulos de doença ou desvio. E até a expressão homossexualismo foi abandonada.
Hoje, como é possível saber, nem sempre o homem ou a mulher homossexual de agora estará passando por uma primeira mudança de sexo. A esses casos (mesmo ignorando os conhecimentos de ordem espiritual) a Psicologia chama de transsexualidade.
Quanto à população homossexual especificamente falando, ela é constituída de seres exclusivamente passivos, exclusivamente ativos e ainda os de vivência indefinida, casos que sem dúvida se reportam igualmente às existências anteriores. No entanto, para seu tempo, Allan Kardec já foi surpreendentemente além dos limites esperados. É que o amor não tem mesmo limitações. E Kardec foi um mensageiro da Lei do Amor.

Paz e Luz
Edson Nunes
63 anos, espírita desde os 17,
36 Anos de Lutas
Pela Cidadania Gay no Brasil


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