sábado, 14 de fevereiro de 2009

HOMOSSEXUALIDADE E TRANSTORNO MENTAL


Em primeiro lugar vou logo afirmando: eu não acredito em Papai-Noel!

Como levar a sério a comunidade científica e suas pesquisas se eles não conseguem distanciar-se dos seus valores morais e culturais no momento de escolher um método de trabalho?

Diante da minha experiência em comunidades do Orkut, observo o grande número de problemas relatados por homossexuais diante de suas famílias, ambiente de trabalho e nas relações homoafetivas entre grupos diferentes de gays...

Mas parece que ainda estamos longe de um parecer isento, montado a partir de pesquisas consistentes onde os diversos grupos de homossexuais não sejam apenas objeto de estudo, mas sim, parte integrante da formação de um diagnóstico da realidade em que vivemos.


Acredito que pelo motivo de grande parte dos homossexuais ainda se encontrarem “no armário” e pelo pequeno número de grupos organizados e independentes de facções políticas ou governamentais é que ainda vivemos na pré-história de uma sociedade menos homofóbica e livre de preconceitos.

Motivado por tantas dúvidas e pela vontade de dar uma resposta aos leitores desse blog, consegui piorar ainda mais a angústia da minha ignorância.
Conseguindo apenas provar “que nada é divino, nada é maravilhoso” e constatar que precisamos tomar uma atitude!

Infelizmente até se encontram alguns poucos homossexuais preocupados, de forma aparentemente independente, com as questões que nos são pertinentes, mas quando observo a trajetória destes, me decepciono com as suas práticas como militantes. Vejo ativistas muito mais preocupados com o marketing pessoal ou com os seus empreendimentos do que com as questões relacionadas à cidadania e aos direitos humanos.


Pode parecer jargão, mas concluo que o futuro da nossa sociedade está nas mãos dos jovens (de todas as idades) cuja diversidade cultural, classe social e étnica possam nos proporcionar dentro da academia novos olhares e estudos consistentes norteando novos paradigmas capazes de influenciar posturas e atitudes livres do velho preconceito.

E assim, quem sabe um dia não mais se ouvirá a música lindamente cantada pela eterna estrela Elis Regina?

“Minha dor é perceber

Que apesar de termos

Feito tudo o que fizemos

Ainda somos os mesmos

E vivemos

Ainda somos os mesmos

E vivemos

Como os nossos pais”


Ao pesquisar na web o tema HOMOSSEXUALIDADE E TRANSTORNO MENTAL descobri estes dois exemplos que transcrevo aqui.


Infelizmente a postagem que tinha o objetivo de esclarecer sobre um tema tão importante, desviou-se para a constatação das contradições das fontes de pesquisas e para carência de pesquisadores sérios...

Marcel_Duchamp


Os gays, negros e lésbicas têm menos desordens mentais que os brancos, diz um estudo da Universidade de Columbia - Escola Mailman de Saúde Pública


Fonte: traduzido de http://www.mailmanschool.org/news/display.asp?ID=572





Segundo um estudo conduzido na Universidade de Columbia - Escola Mailman de Saúde Pública entre lésbica, populações gays, bissexuais, negros e latinos não têm mais desordens mentais que a população branca. Baseado na teoria que o stress relacionado ao preconceito aumentaria o risco de desordens mentais, os pesquisadores tipicamente esperavam que as lésbicas, os negros, os gays e os bissexuais que enfrentam o preconceito relacionado tanto ao racismo como a homofobia teriam mais desordens do que a população branca. Ao contrário desta expectativa, contudo, o estudo da Escola Mailman de Saúde Pública descobriu que as lésbicas, os negros, os gays e os bissexuais tinham significativamente menos desordens do que indivíduos brancos e que os latinos tinham uma prevalência de desordens semelhantes a dos brancos. As descobertas foras publicadas no Jornal Americano de Saúde Pública, de novembro de 2007. “Estas descobertas sugerem que as lésbicas, os negros, os gays e os bissexuais tenham modos eficazes de enfrentar o preconceito relacionado ao racismo e a homofobia” observou Ilan H. Meyer, PhD, professor associado de Ciências Médicas e sociais e clínicas na Escola Mailman de Saúde Pública e investigador principal do estudo.

O estudo de 388, entre brancos, negros e latinos residentes em Nova Iorque com idade entre 18 e 59 que se identificaram como lésbica, gay ou bissexual é o primeiro baseado nessa população e, também, a examinar a prevalência de desordens mentais entre negros, latinos, brancos, lésbicas, gays e bissexuais. Por outro lado, sobre desordens mentais, mais gays negros e latinos, as lésbicas e os bissexuais do que brancos informaram uma história de sérias tentativas de suicídio. “Como estas tentativas de suicídio ocorreram em uma primeira idade, tipicamente durante a adolescência, podemos refletir que elas coincidiram com um período que esteve relacionadas à desaprovação social sobre as identidades lésbica, gay e bissexual,” disse o Dr. Meyer.

As descobertas foram compatíveis com a noção que estes problemas podem ser mais graves entre lésbicas, gays, jovens bissexuais, latinos e outras comunidades de cor. “A ausência da prevalência mais alta de desordens de humor nesta população, estas descobertas criam um desafio aos profissionais de saúde mentais” disse Dr. Meyer. “Se isto for de fato o caso, os profissionais de saúde pública devem encaminhar os esforços de prevenção para reduzirem o risco de suicídio entre a lésbica, os gays e bissexuais nestas comunidades”, disse Dr. Meyer. O estudo também encontrou que, de todos os grupos étnicos, a menor faixa etária de lésbicas, gays e bissexuais (aqueles em grupos de idade 18 – 29 e 30 – 44 comparando com 45 – 59 anos) tinha a prevalência mais baixa de quase todas as categorias de desordens mentais, e a diferença foi por meio de estatística significante para desordens de humor. A faixa etária mais jovem também tinha menor quantidade de tentativas de suicídio do que os grupos que estavam em faixa etária de maior idade (mas isto foi por meio de estatística significante só para a variação mediana). “A descoberta quanto à faixa etária de menor idade de lésbicas, gays e bissexuais é compatível com teorias de stress social que predisseram que a liberalização de atitudes sociais em direção ao homossexualismo durante as poucas décadas passadas pode levar a um declínio em stress e relacionando isso às desordens mentais e suicídio entre lésbicas, gays e indivíduos bissexuais”, disse Dr. Meyer. Em outras descobertas, o estudo informou que a identidade bissexual esteve relacionada à prevalência mais alta de desordens de uso de substância, mas não de inquietude ou desordens de humor e ele confirmou a observação prévia que entre populações gays, os homens e as mulheres não se diferenciam substancialmente na prevalência de desordem.

O estudo foi financiado pelo Instituto Nacional da Saúde Mental dos Estados Unidos da América.

Sobre a Escola Mailman de Saúde Pública:

A única escola reconhecida para a Saúde Pública em Nova Iorque e está entre as primeiras dos EUA, a Escola Mailman de Saúde Pública da Universidade de Columbia fornece instrução e oportunidades de pesquisa a mais de 950 estudantes de graduação, mestrado e doutorado. Os seus estudantes e mais de 300 cursos multidisciplinares estão engajados em pesquisas e serviços na cidade, nação, e ao redor do mundo, e se concentram enas áreas de bioestatística, ciências de saúde ambientais, epidemiologia, política de saúde e gestão, população e saúde de família, e ciências médicas e sociais. www.mailman.hs.columbia.edu




Pesquisa investiga qualidade de vida de homossexuais

Raqueldo Carmo Santos




Pesquisa inédita desenvolvida na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) investigou as dimensões de saúde mental, a qualidade de vida, a religiosidade e a identidade psicossocial no homossexualismo. Em dissertação de mestrado orientada pelo professor Paulo Dalgalarrondo, a psicóloga Daniela Barbetta Ghorayeb encontrou diferenças expressivas entre as experiências da homossexualidade de homens e mulheres.

Estudo inaugura linha de pesquisa



No grupo pesquisado do gênero feminino, por exemplo, a orientação sexual é tratada de forma mais reservada, não havendo a necessidade de declarar abertamente a orientação. “Essas mulheres acreditam que se trata, apenas, de uma faceta a mais da identidade. Ademais, possuem relacionamentos mais estáveis com suas parceiras”, afirma a psicóloga. Já os homens que foram objeto de estudo estão dispostos a viver as relações afetivas de modo mais transparente no meio social ao qual pertencem.
Segundo Daniela, uma das justificativas para tais diferenças seria a própria herança cultural que carrega cada gênero. Para a psicóloga, em última análise, a sexualidade feminina foi marcada, historicamente, pela privacidade. Já a sexualidade masculina, prossegue a pesquisadora, sempre carregou um caráter de visibilidade.
O estudo contemplou pesquisa de campo, por meio de entrevistas individuais, visitas a boates e festas privadas, além da participação em manifestações de movimentos sociais. A pesquisa foi comparativa e, para isso, a psicóloga entrevistou 60 indivíduos homossexuais e 60 heterossexuais, pareados a partir da faixa etária, gênero e escolaridade.
O método escolhido para o recrutamento dos sujeitos foi o chamado “bola de neve”, ou seja, um indivíduo indicava outro para ser entrevistado, o que atribuiu maior confiabilidade e credibilidade aos dados.
Outro aspecto nos resultados que chamou a atenção da pesquisadora foi a similaridade entre os índices de qualidade de vida dos dois grupos – os indivíduos estudados estão inseridos socialmente e não isolados em grupos fechados, como se imagina. “Com isso, é importante uma reflexão mais profunda sobre as construções e preconceitos presentes no imaginário social”, acredita Daniela, referindo-se aos estereótipos que reforçam uma outra realidade.
Uma questão a ser considerada refere-se às características do grupo. Os voluntários têm, em média, 30 anos, possuem nível de escolaridade superior e todos pertencem à classe média. Por isso, segundo Daniela, as conclusões podem ter referência, apenas, a partir do perfil selecionado.
O estudo constatou ainda maior prevalência de transtornos mentais no grupo de orientação homossexual em comparação com o grupo de heterossexuais, com destaque para o transtorno depressivo e risco de suicídio. Estes resultados confirmam pesquisas recentes realizadas na Inglaterra e Estados Unidos, que sugerem o impacto do preconceito e da discriminação sobre a saúde mental.
O trabalho realizado por Daniela inaugura uma linha de pesquisa no Laboratório de Saúde Mental e Cultura do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria. Os estudos deverão investigar a homossexualidade também na terceira idade e na adolescência.
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3 comentários:

  1. Só uma correção. O trabalho começa a falar da "vida no homossexualismo". Em primeiro lugar, não existe homossexualismo, e sim homossexualidade, porque não é doença. Em segundo lugar, não existe "no homossexualismo" porque homossexualidade é uma orientação sexual herdada independentemente de qualquer "opção", é antes uma condição, como nascer negro, alto, loiro etc.

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  2. Querido Anônimo,

    Eu como autor da postagem concordo 100% com você!

    Você pode ler a introdução da postagem (em letras verdes) que eu critico as fontes de pesquisas sobre o tema homossexualidade e saúde mental, tentando provar que nem tudo na WEB merece ser considerado por bom leitor que realmente sabe usar o seu senso crítico.

    Para isso coloco dois textos em contraponto!

    • O 1º texto é uma tradução de um estudo financiado pelo Instituto Nacional da Saúde Mental dos Estados Unidos da América.

    • O 2º texto, bem mais coerente em conteúdo e em metodologia de pesquisa, é um estudo publicado no jornal da UNICAMP.

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