Quem não se lembra das loucuras da personagem Heloísa, vivida por Giulia Gam na novela Mulheres Apaixonadas? Na vida real, milhares de mulheres e homens perdem a razão devido ao chamado ciúme patológico. Sem tratamento com psicólogo, casos assim podem levar à depressão e até a tragédias como assassinatos.
O Dia Online Agência O Dia André Bernado
Há quem garanta que, na medida certa, ajuda a ‘apimentar’ a relação. Segundo alguns casais, o ciúme estimularia os amantes a analisar o relacionamento, rever conceitos e valorizar mais o parceiro. Os especialistas discordam. Para eles, o melhor tempero é o zelo, sentimento altruísta de quem se dedica à pessoa amada. Não é à toa que as duas palavras, zelo e ciúme, derivam do mesmo radical latino: ‘zelumen’.
Segundo o psiquiatra Eduardo Ferreira-Santos, ciúme é tudo, menos “prova de amor”, como supõem alguns ciumentos. Para o autor de “Ciúme — O Medo da Perda” e “Ciúme — O Lado Amargo do Amor”, o sentimento está mais associado a posse e propriedade do que ao amor propriamente dito. Em altas doses, causa aperto no coração, boca seca e falta de apetite.
“Sentir ciúme é como sentir dor. Ninguém gosta, mas é sinal de que algo está errado. O ciúme tende a causar dor tanto em quem sente quanto em quem é alvo dele. Alguns gostam de repetir que ‘fulano é a minha vida’ ou que ‘não conseguiria viver sem beltrano’. Poeticamente, é lindo. Mas, psicologicamente falando, pode ser perigoso”, alerta.

O grau mais perigoso do ciúme, ressalva o psicólogo Thiago de Almeida, é quando ele se torna patológico. Na literatura médica, o ciúme doentio é descrito como ‘Síndrome de Otelo’, em alusão à peça “Otelo, o Mouro de Veneza”, de William Shakespeare. Nela, o protagonista chega a matar a doce e fiel Desdêmona, sua esposa, certo de que ela o traía com um de seus asseclas.
“O ciúme pode ser percebido desde um simples gesto de mão no ombro até casos de violência física. Os casais devem estar atentos à freqüência e à intensidade das crises. Há casos em que o parceiro começa a cercear, monitorar e hostilizar o outro por causa de um rival imaginário”, afirma Thiago, acrescentando que o tratamento varia de psicoterapia a medicamentos.
A violência doméstica entre casais gays só começou a ser estudada na década de 90 (no caso dos heterossexuais ela é pesquisada desde 1970) e ainda há muita resistência em se falar deste assunto. Atualmente, a questão tende a sair da esfera do desconhecido.
Tipos ciumentosCom o surgimento de um terceiro na relação, ou a simples possibilidade, conduz a alguns tipos de reação e de tentativa de resolução. Um desses tipos é o “tipo heróico” aquele que aceita e admite o interesse e até mesmo o amor do seu par por outra pessoa, tendo como fala: “Pode ir, se é isso que você quer” ou mesmo “Tudo bem, contanto que você seja feliz”.
Mesmo estando com raiva, magoado ou mesmo com ódio, tenta superar, se submetendo a tentar ser do “jeito” que a pessoa amada deseja, ou no mínimo do jeito que ele acha que o “amado” gostaria, passando a imitar e ter como modelo o “terceiro”. Neste caso, quando a relação termina, a pessoa sente-se obrigada a desistir da “amada”, e muitas vezes o faz sentindo muita raiva, mágoa e até ódio. Sua reação é de destruir o passado, as lembranças, as memórias, os presentes, tendo em seguida a apatia e até mesmo a depressão.
Outro tipo é o “passional” sua característica é baseada na exclusividade do prazer. Por exemplo: “Só ela me dá prazer”, “Sem ela não vivo”, não é apenas uma busca é muito mais do que isso, chega a ser uma necessidade, passando do desejo, do prazer, para a dependência e necessidade.
Este tipo acontece na esfera do pensamento, então muitas vezes a introdução do “terceiro” é fantasiosa, só acontece na fantasia, sem correspondência na realidade. O ciúme neste tipo é muito forte e persecutório, podendo tornar a vida da “amada” um verdadeiro inferno.
Existe ainda a “paixão unilateral” que se estabelece na eminência de uma separação e o que o ciúme se instala imediatamente, pois a pessoa vive o tempo todo achando que vai ser abandonada, rejeitada, trocada, descartada. A “amada” passa a ser a única fonte de prazer. “Prefiro morrer a perder a pessoa amada”. A pessoa passa a se menosprezar, se desqualificar, passando a achar qualquer pessoa melhor e mais interessante do que ela. Acha que só ela ama e que só ela sofre. Tem ciúmes da própria sombra.
Doses de ciúmesPodemos falar em três gradações de ciúmes. O ciúme normal, a pessoa fica triste, tem sentimento de perda ou mesmo pensa ter perdido o “amado”, causando dor e sofrimento. A pessoa sofre uma ofensa ao seu narcisismo e sua auto-estima fica comprometida. Pode também se sentir responsável pelo rompimento e fica ainda mais deprimida. Essas situações podem ser reais e atuais, mas não são sempre racionais, porque muitas vezes podem ter suas raízes em fases mais infantis.
No ciúme projetado a sua característica é a própria infidelidade praticada por um dos parceiros ou no desejo de ser infiel. Não podemos descartar que a fidelidade sempre estará sujeita a tentações, pressões e cobranças. As pessoas que tendem a projetar o ciúme sempre estão negando seus desejos, suas dificuldades ou até mesmo suas infidelidades. Quanto mais sentem essa pressão, mais elas suspeitam da fidelidade do “amado” e assim aliviam sua própria consciência.
A terceira gradação é o ciúme delirante, classificado nas formas da paranóia. É a gradação mais forte, chega a ser patológico. Nesse tipo, o ciumento transforma a relação dual em triangular e o “amado” passa a ser objeto de ressentimento, de frustrações atuais ou do passado, o “amado” passa ser a parte ruim da pessoa. Nesse nível, o ciumento se sente enganado, abandonado, e começa a criar uma realidade cheia de histórias e mentiras, passa a acreditar nessa realidade e começa a reagir. As formas de contra-ataque podem ser das mais brandas até as mais violentas. O ciumento vai envolvendo o “amado” nas suas histórias, confundindo-o, criando pseudo provas com interpretações delirantes. “Estou sendo traído”.
Um manual sobre o tema violência doméstica lançado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) fez lembrar que entre casais de homossexuais, lésbicas, travestis e transexuais também podem ocorrer ameaças, humilhações, tapas e até mortes — nada diferente do que ocorre entre alguns casais heterossexuais. A diferença, quando ela existe, é que nos casais heterossexuais é o homem que costuma bater; nos outros, geralmente, é o mais fraco que apanha.
Números não oficiais divulgados pelo GGB estimam que mais de uma centena de gays, lésbicas e travestis (GLTs) são assassinados por ano, no Brasil. Segundo Luiz Mott, professor da Universidade Federal da Bahia e fiador desses números, entre cinco e dez desses casos seriam de amantes que mataram parceiros.
Para finalizar, gostaria de lembrar que quando nos relacionamos amorosamente, deveríamos também fazer uma distribuição dos nossos sentimentos e afetos em outras relações como amizade, família..etc. Dessa forma, o “outro” não se tornará “tudo” para nós. É importante manter uma vida independente do relacionamento amoroso, pois isso ajuda a enriquecer a relação. São experiências e histórias que podem ser trocadas com a parceira e que vão ajudar a fortalecer o relacionamento no dia-a-dia. É importante lembrar que cada um de nós tem uma história de vida, interesses diversos que podem ser compartilhados. Se, por ventura, você tem uma relação sufocante com sua parceira que não está fazendo bem a você, nem a ela, é preciso conversar. Não destrua uma relação com agressões, sejam físicas ou psicológicas, elas podem causar feridas e mágoas desnecessárias. Não deixe a situação chegar a este ponto. Pense a respeito. Se não conseguir chegar a uma conclusão, procure ajuda. Não manche sua história de amor.
Espaço GLS - Notícias / Por Katia Cristina Horpaczky (Psicóloga Clinica)
Olá!
ResponderExcluirxD
Muito legal achar seu blog na internet, precisava mesmo de um lugar com bom conteúdo e posts bem escritos.
Ciúmes realmente é meio maníaco e doentio, mas todo mundo tem no fundo, mesmo que seja zelo. Só ter cuidado para não encontrar uma pessoa excessivamente ciumenta, pois a relação pode virar uma prisão.
Posso adicionar seu blog aos links do meu?
Boa-noite!
- Sim, eu aceito - Um casamento com a pluralidade -
http://aceitosim.blogspot.com/
Olá!
ResponderExcluirObrigado por ter permitido que seu blog seja linkado ao meu, já está lá! :D
Também muito obrigado por ter adicionado o meu aqui.
Realmente gostaria que houvesse uma forma melhor de unir os blogs de verdadeiro conteúdo gay, porque a maioria é realmente sobre pornografia, enfim.
Abraços.
- Sim, eu aceito - Um casamento com a pluralidade -
http://aceitosim.blogspot.com/